28.3.18

Eita

Que os dias têm sido atropelados. Que a rotina tem mudado e desmudado. Que me sinto sem tempo, desorganizada, precisando de uns instantes para cuidar de mim. 

Há dias uma pilha de papéis vagueia sobre a minha mesa, mudando de lugar conforme a necessidade. Da mesa para a cadeira, da cadeira para a cama, da cama para a mesa. 

Tenho perdido a hora de dormir. Tenho estragado as unhas. Tenho chegado tarde na academia. Tenho esquecido de hidratar o cabelo. Tenho acumulado matérias atrasadas e questões para responder. 

Minha caixa de entrada transborda. Minhas séries estão atrasadas. Meus resumos precisam ser passados a limpo. Meu sono não é suficiente. Leio três livros ao mesmo tempo e não termino nenhum.

No entanto, no meio de tanta bagunça, me esbarrei com a vontade de querer me permitir. 

Me permitir experimentar algo que nunca imaginei antes. Me permitir mais um passo fora da curva. Me permitir me envolver. E, principalmente, me permitir deixar você entrar na minha vida, seja lá por quanto tempo for.

A porta está aberta.

21.1.18

Oi, turu bom?

Mais de vinte dias depois e eu ainda não escrevi sobre o ano que passou. Na verdade, não fiz muitas coisas desde que troquei meu calendário e agenda. Quer dizer, mentira. Não foram coisas maravilhosas como viajar e ficar de bobeira na praia, mas limpei meu armário de livros, fiz uma faxina no guarda-roupa, consultei uma nutricionista e finalmente montei um plano de estudos.

Sobre 2017: não acho que tenha sido um ano incrível, tampouco ruim. Foi cansativo, tive momentos de estresse, passei muito tempo com o meu sobrinho, minha ansiedade ficou mais controlada, consegui viajar, fiz minha primeira tatuagem, pintei o cabelo, infelizmente estudei muito pouco, fotografei bastante, voltei para o instagram, conheci pessoas, comecei a frequentar uma academia e li o suficiente para me sentir satisfeita. 

O que quero para 2018? Reclamar menos e fazer mais, ser mais focada, continuar me reinventando.


14.12.17

Fodas, velhas leituras e fantasias nunca alcançadas

“Embora meu objetivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo não conseguiram atingir minha alma.”
“Eu não sou um corpo que tem uma alma, sou uma alma que tem uma parte visível chamada corpo.”
Onze minutos, Paulo Coelho

Ainda tenho curiosidade em saber como é a sensação de ser tocada de verdade. De estar com alguém que saiba conversar e me seduzir com palavras, antes de partir para o tato. Alguém que me beije devagar; que mordisque meu pescoço sem a intenção de arrancá-lo; que me encaixe num abraço apertado; que sussurre coisas provocativas, mas não nojentas, no meu ouvido; que sinta o desenho da minha cintura; que não aperte os meus peitos como se eles fossem brinquedos de borracha; que saiba que tenho 1,70 m de pele para sentir e percorrer, antes de chegar ao ponto principal; e que entenda que está ao lado de uma mulher com coração, desejos e medos, cujo corpo deve ser respeitado.

Quando penso nessas coisas, me lembro do quanto me identifiquei com as frustrações de Maria, personagem principal de “Onze Minutos”, do Paulo Coelho. Não sei quantos anos eu tinha quando li esse livro, acho que no início do ensino médio ou no cursinho antes de entrar na universidade, mas o fato é que desde aquela época tenho o mesmo desejo de ser explorada com calma e excitada ao máximo. 

Uma coisa que não me envergonho de dizer é que, nesse sentido, experimentei amassos que foram muito melhores do que sexo, pois sem os finalmentes tinha que existir criatividade para manter o desejo. Lembro muito bem de um cara que me convidou para tomar um café e enquanto ele brincava de ir sentando cada vez mais perto, eu tremia toda de tesão. Também me lembro bem de um cara novinho que eu fiquei num show. A pegada da criatura era tão boa, tão firme, tão decidida, que até perguntei se ele era padeiro.

Por outro lado, em certos encontros que envolviam algo mais, onde havia tempo e lugar para esquecer do mundo, as coisas geralmente eram previsíveis e mecânicas. Há sempre aquele cara apressado, que acha que as mulheres são meros buracos de concreto e cujo pau parece mais uma britadeira; aquele cara que até perde uns minutinhos nas preliminares, mas parece um gato lambendo o leite da tigela ou um esfomeado chupando manga; aquele que só fala besteira e fica endeusando o pau; e aquele cara que só pensa no prazer dele e só faz o que for bom para ele. 

Dificilmente existe aquele cara que sabe que o corpo de uma mulher é muito mais que uma buceta. Um desses é artigo tão raro que nunca esqueci da Maria do Paulo Coelho. Nem de uma cena descrita lá pela página cento e cinquenta, e que desde então, se tornou uma espécie de fantasia para mim.

"Ele se entrega, coloca a venda. Ela faz o mesmo; agora já não há fresta de luz, estão no verdadeiro escuro, um precisa da mão do outro para chegar até a cama. Não, não devemos nos deitar. Vamos nos sentar como sempre fizemos, frente a frente, só que um pouco mais perto, de modo que meus joelhos toquem os seus joelhos. Sempre quis fazer isso. Mas nunca tinha o que precisava: tempo." 
"Estende o braço em sua direção, e pede que ele faça o mesmo. Sussurra poucas palavras, dizendo que aquela noite, naquele lugar de ninguém, gostaria que ele descobrisse sua pele, a fronteira entre ela e o mundo. Pede que a toque, que a sinta com suas mãos, porque os corpos se entendem, embora nem sempre as almas estejam de acordo."